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Menos televisão, mais brincadeiras: infância de verdade

5 de dezembro de 2013

“Ninguém duvida hoje que estamos destruindo a natureza; mas pouquíssimos percebem que há em curso uma verdadeira destruição dos seres humanos.” (V.W. Setzer)

Nada acontece por acaso.

        Em nosso último post falamos sobre Antroposofia – ciência linda e apaixonante que enxerga o ser humano integral, em suas dimensões: física, anímica e espiritual. Na semana de publicação deste post, soube que a escolinha de meu menino tem colocado diariamente DVDs no final da aula, para entreter os alunos. Isto me aborreceu profundamente pois, a meu ver, a escola deve ocupar-se em entreter as crianças com brincadeiras que estimulem sua criatividade, sua expressão livre, o que a televisão, com certeza, não faz..

        Procurando artigos que embasassem razões pelas quais a televisão é prejudicial aos pequenos (para apresentá-los à escola), encontrei um completo, fantástico, que compila dados de inúmeros estudos, escrito pelo Prof. Dr. Valdemar W. Setzer, que é Professor Titular-(como ele diz: “aposentado, mas não encostado”) do Depto de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME), além de ter sido fundador e diretor do Centro de Computação Eletrônica da USP (CCE) e do Centro de Ensino de Computação do IME e, “coincidentemente”, é membro da Sociedade Antroposófica desde 1971. Tem 12 livros técnicos e educacionais publicados no Brasil e na Alemanha, Inglaterra e Finlândia.

        Seu artigo, intitulado: “Efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças, adolescentes e adultos”, disponível on line, apresenta, com embasamento científico de mais de uma centena de artigos, 19 aspectos prejudiciais da televisão, jogos eletrônicos, computador e internet principalmente às crianças e adolescentes: 1) Excesso de peso e obesidade; 2) Riscos para a saúde; 3) Problemas de atenção e hiperatividade; 4) Agressividade e comportamento antissocial; 5) Depressão e medo; 6) Intimidação a colegas (bullying); 7) Indução de atitude machista; 8) Dessensibilização dos sentimentos; 9) Indução de mentalidade de que o mundo é violento e violência não gera castigo; 10) Prejuízo para a leitura; 11) Diminuição do rendimento escolar e prejuízo para a cognição; 12) Confusão de fantasia com realidade; 13) Isolamento e outros problemas sociais; 14) Aceleração do desenvolvimento (como a sexualidade precoce); 15) Prejuízo para a criatividade; 16) Autismo; 17) O problema do vício; 18) Indução ao consumismo; 19) Problemas causados pela internet (físicos e psicológicos).

        Ao ler o artigo na íntegra deparamo-nos com dados alarmantes, por exemplo, a relação entre o tempo de uma criança na TV e o aumento do índice de colesterol e da pressão sanguínea, e também de hiperatividade.

        Sobre a questão da hiperatividade, o texto do artigo é tão completo que vale a pena transcrevê-lo: “A produção de hipertatividade pela TV é fácil de ser compreendida: crianças saudáveis não ficam quietas, estão sempre fazendo algo, pois é assim que aprendem, desenvolvem musculatura, coordenação motora etc. Uma criança saudável só fica parada se ouvir uma história: aí se pode observar que ela fica como que olhando para o infinito, pois está imaginando interiormente os personagens, o ambiente e a ação. No caso da TV, a criança fica fisicamente estática e, como já vimos, em estado de sonolência (V. item 1), não tendo nada a imaginar, pois as imagens já vêm prontas e se sucedem com rapidez. Ao se desligar o aparelho, a criança tem uma explosão de atividade, para compensar o tempo que ficou imóvel e passiva; os pais, incomodados, colocam-na novamente à frente da TV para ‘acalmá-la’…”.

        Entramos em contato com Dr. Setzer para uma entrevista por e-mail, em que ele gentilmente enriquece nossa conversa sobre o tema. Clique neste link para desfrutá-la!

Até a próxima!