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Biologia computacional e tecido 3D aprimoram tratamento antissinais por meio de estudo da pele

23 de junho de 2016
Para desenvolver produtos que realmente promovam o tratamento da pele é fundamental entender do que ela precisa. Quanto mais se tem a compreensão sobre as reações e transformações que acontecem nesse tecido, maior será a chance de atuar com precisão. Foi com esta premissa que a equipe da área de Pesquisa em Tecnologias Cosméticas Avançadas da Natura iniciou alguns projetos audaciosos que envolveram ferramentas de biologia computacional e o desenvolvimento de uma nova metodologia de teste de produtos em tecido 3D. Os resultados podem ser sentidos no novo Chronos.
O primeiro desafio assumido pelos pesquisadores da Natura foi reunir uma variedade de amostras de pele humana que permitisse identificar padrões de transformações e reações que se repetem. “Nós queríamos entender melhor quais eventos biológicos são frequentes em cada faixa etária. Chronos desenvolve produtos para mulheres na faixa dos 30, 45, 60 e 70 anos, e cada uma dessas peles tem necessidades diferentes. Queríamos identificar com mais precisão que necessidades são essas”, explica Daniela Zimbardi, pesquisadora da Natura. Mas o trabalho para reunir e avaliar toda  essa diversidade de amostras poderia demorar muito tempo. A solução veio pela bioinformática.
Utilizando ferramentas de biologia computacional, o time da Natura fez uma busca em toda a literatura e nos bancos internacionais de pesquisa científica para reunir dados transcriptômicos de mais de 850 amostras de biopsias de pele saudáveis que foram utilizadas em estudos ao redor do mundo. “Reunimos os dados brutos de cada um desses estudos e tratamos essas informações com filtros específicos, para identificar quais mecanismos moleculares da pele conseguiríamos associar a cada faixa etária, ou seja, quais mecanismos  começam a mudar na nossa pele e a partir de que momento”, afirma Daniela.
Após sete meses, a equipe já tinha traçado um mapa com as reações e modulações mais frequentes em cada faixa etária de pele. “Identificamos mais precisamente o momento em que cada mecanismo biológico importante para a pele começa a ser alterado em função do envelhecimento, por exemplo, definimos quando começam a surgir as reações inflamatórias, quando há eventos de estresse oxidativo, quando há umaredução em proteínas importantes como elastina e colágeno, entre outras várias reações”, diz a pesquisadora.
Uma nova metodologia de testes
Com mais clareza sobre as necessidades de cada pele a tarefa agora era desenvolver produtos de tratamento ainda mais aprimorados, com fórmulas alinhadas às novas descobertas. “Nós já sabíamos quais alterações moleculares da pele precisavam ser tratadas e agora queríamos saber se nossos produtos estavam agindo da melhor forma para atender a esse objetivo”, destaca Daniela.
Os pesquisadores já sabiam que os testes in vitro, muito eficientes em diversos cenários, tinham uma limitação neste caso. Eles não possibilitavam a análise da aplicação do produto final na pele. Era possível analisar a eficácia dos componentes da fórmula isolados, mas não do produto completo. Já os testes in vivo, em voluntários humanos, não permitiam termos uma visão molecular dos efeitos do produto. Para resolver a questão, a equipe de Pesquisas Avançadas desenvolveu uma nova metodologia utilizando amostras de pele remanescentes de cirurgias plásticas.
“A pele remanescente de cirurgia plástica mantém suas funções por aproximadamente dez dias. Assim, conseguimos um modelo mais real, que mantinha a arquitetura 3D do tecido,  e que permitiu simultaneamente a aplicação do produto final e a análise em nível molecular das reações a essas aplicações. Com as informações, conseguimos aprimorar fórmulas, avaliar combinações de ativos e ser muito mais assertivos no desenvolvimento  do novo Chronos”, explica Daniela.
Os resultados dos dois esforços foram aplicados na formulação do novo Chronos, possibilitando que o produto tenha efeitos muito mais assertivos. “Hoje, nós sabemos dizer exatamente como um ativo de Chronos atua para garantir mais elasticidade para a pele, por exemplo. Temos como comprovar os efeitos do produto e desenvolver fórmulas cada vez mais alinhadas com a necessidade de cada faixa etária”, comemora Daniela.
As descobertas serão úteis também para o desenvolvimento de outras linhas. “Nós sempre apostamos na biologia computacional, que tem respondido com agilidade às nossas necessidades. E também vemos a consolidação das metodologias de teste em tecido 3D, uma tecnologia muito utilizada dentro da nossa empresa na avaliação de nossos ativos e, agora, também de fórmulas completas”, finaliza a pesquisadora.