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Desodorantes oferecem mesma quantidade de aplicações em embalagem com metade dos aerossóis convencionais

6 de Abril de 2015
O mesmo conteúdo, metade do impacto
Linha Natura Ecocompacto incorpora avanços inéditos no Brasil
O produto é pequeno e leve, com 75 ml e 46 g, mas o que incorpora de inovação e benefícios para o meio ambiente tem um valor objetivo e mensurável. Trata-se da linha de desodorantes Natura Ecocompacto, lançada em setembro de 2014, que oferece a mesma quantidade de aplicações numa embalagem com a metade do tamanho da média dos aerossóis convencionais. Portanto, sua produção consome aproximadamente metade da matéria-prima comumente utilizada, principalmente alumínio, o que resulta numa redução de cerca de 48% do impacto ambiental.
O objetivo inicial, segundo Anderson Liba, gerente de Desenvolvimento de Embalagens da Natura, era ampliar a participação da marca na subcategoria aerossol: “Ocorre que o aerossol tem maior impacto ambiental do que outros produtos desodorantes, como spray, roll-on e creme, pois possui o corpo em alumínio e muitas peças plásticas, além do propelente, que é uma mistura gasosa de propano e butano. Como a Natura busca sistematicamente reduzir o impacto de suas atividades, foi lançado o desafio de desenvolver uma proposta diferenciada e sustentável”.
O desafio envolveu também os fornecedores, entre os quais a CPA, uma empresa que surgiu da fusão da Provider e da ColepCCL. “A CPA apresentou algumas propostas e, em conjunto, fizemos vários ajustes e protótipos até chegar ao resultado pretendido”, explica Silvania Angelino, pesquisadora da Natura.
O diferencial do Ecocompacto se concentra na embalagem menor e, especialmente, na válvula capaz de operar com eficácia o conteúdo comprimido da fórmula. “Nas primeiras propostas, a solução técnica satisfez, mas o sensorial ainda não era adequado ao desodorante de jato seco que o mercado esperava”, lembra Silvania. “Então, trabalhamos na fórmula, para que fosse mantida uma ótima performance tanto na ação desodorante quanto na antitranspirante, com maior eficácia, sem provocar manchas nas roupas e com benefícios para a pele. Agregamos ingredientes que pudessem ter esse sinergismo e utilizamos um ativo com eficácia superior ao ativo padrão de mercado, considerando que o balanceamento de uma fórmula em aerossol precisa ser planejado nos mínimos detalhes, pois qualquer alteração, por exemplo, a fragrância, pode causar um impacto indesejado no produto final”, acrescenta.
Depois de superados os desafios, segundo Silvania, chegou-se finalmente à proposta pretendida: “Reduzimos quase pela metade o impacto ambiental, sem reduzir a performance ou a duração do produto”, acrescenta a pesquisadora. Por enquanto, não há no Brasil nenhum outro desodorante aerossol com essa tecnologia.
Na Natura, o projeto envolveu diferentes áreas, como segurança do consumidor, eficácia, suprimentos, núcleo olfativo, logística, planejamento e engenharia, além do desenvolvimento de embalagens e de fórmula. Segundo Liba, foi igualmente importante a contribuição dos parceiros: “Temos contato frequente com os fornecedores e sempre nos mostramos abertos a incorporar as inovações que eles potencialmente identificam no mercado. Esse modelo de parceria teve papel fundamental”.
Por suas características, o desenvolvimento do Ecocompacto foi especialmente gratificante. “Sentimos muito orgulho de ver o produto pronto para ser lançado e chegar ao mercado. O Ecocompacto atende diretamente o que a Natura deseja, que é ser sustentável”, afirma Silvania. “Para quem trabalhou diretamente no projeto, existe mesmo um sentimento de orgulho, de conquista”, completa Liba.
O projeto do Ecocompacto também agregou aprendizados importantes para o desenvolvimento de produtos. Silvania diz que a tecnologia que permite a redução do volume da embalagem requer estudos mais aprofundados para ser estendida a outras fórmulas e produtos. Liba destaca, além do modelo de parceria, a busca incessante de avanço técnico e evolução: “Foi um processo inovador para a Natura, para o fornecedor de insumos e para toda a cadeia produtiva”, afirma.