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Extrato de jatobá: a transformação de uma semente do cerrado em ativo antissinais

21 de julho de 2016
O desafio era encontrar um novo ativo antissinais que viesse da biodiversidade brasileira. Um longo caminho de pesquisa, envolvendo diversas áreas da Natura e parceiros, foi percorrido para que o time chegasse ao extrato de jatobá, um ativo que aumenta a produção de colágeno e já está sendo utilizado na composição do novo Chronos 45+ Firmeza e Radiância. Hoje, vamos rememorar esse percurso de pesquisa e inovação para dar uma amostra do tamanho do trabalho de bastidores necessário para que um produto finalmente chegue ao mercado.
A história do extrato de jatobá na Natura já tem mais de dez anos. Naquela época, a empresa começou a observar o uso de polissacarídeos com atividade biológica em cosmética. Ao estudar essa classe de compostos, foi identificado que os polissacarídeos de jatobá poderiam ter efeitos interessantes na pele. Para confirmar sua hipótese, a Natura abriu várias frentes de pesquisa. A primeira delas envolvia o time de Bioagricultura, área responsável pelo desenvolvimento de novas cadeias produtivas. Era preciso mapear os locais de ocorrência do jatobá para descobrir se era viável utilizá-lo como ativo em escala industrial e, pra isso, buscamos ajuda da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Sociedade de Investigação Florestal (SIF/UFV).
“O jatobá é uma espécie arbórea tardia, que encontra condições ideais para se desenvolver depois que a floresta já está começando a se formar. É uma espécie mais lenta no crescimento, que precisa de pelo menos 12 anos para começar a produzir sementes”, explica Camila Brás, pesquisadora da área de Bioagricultura da Natura. Diante desse perfil da espécie, tornava-se inviável iniciar uma plantação. Era necessário identificar regiões de ocorrência do jatobá, com plantas já estabelecidas e produzindo frutos. Para isso, Camila – que na época era parceira da Natura e estudou o jatobá em seu mestrado – recorreu a trabalhos científicos e a herbários em várias universidades do país. “Fui a herbários nas Universidades Federais de Minas Gerais, Ouro Preto, Viçosa, Lavras, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e listei os registros de ocorrência do Jatobá nas várias regiões do Brasil”, explica.
A partir das informações colhidas nos herbários, Camila percebeu um maior número de registro nos estados do Espirito Santo, Bahia, Goiás e Minas Gerais. Junto à equipe da SIF/UFV, ela iniciou uma série de expedições aos locais para confirmar a presença do jatobá e avaliar a viabilidade de criação de uma cadeia de produção de sementes. “Com o apoio  de instituições, engenheiros florestais conhecidos e de moradores locais, nossa equipe visitou várias áreas até encontrar, em Goiás, uma  macrorregião com vários jatobás produtivos,  essencial para o que a gente precisava”, relembra Camila.
Um dos produtores já trabalhava com outros frutos do cerrado e fazia uso da polpa do jatobá. “Funcionou muito bem porque eles já usavam a polpa, mas o nosso interesse era a semente. Dessa forma, a cadeia ficava muito ajustada. Buscamos parceiros que nos ajudassem no processamento das sementes, para garantir as condições ideais para a obtenção do ativo, e fomos aprimorando essa cadeia”, explica Camila.
Foco no laboratório
Enquanto Camila viajava pelo Brasil, outras áreas da Natura realizavam pesquisas para confirmar as propriedades do jatobá e seus efeitos na pele. Para a área de Ingredientes, o desafio era identificar as substâncias químicas presentes na planta e viabilizar a extração de suas propriedades com potencial cosmético. “A gente identifica as substâncias que a planta produz e depois tem que desenvolver e otimizar o processo de  extração  para concentrar os compostos de interesse, em busca de um extrato potencializado que possa ser  produzido em escala industrial. Nosso processo de extração foi patenteado e segue os princípios da química verde, usando principalmente solventes como água e agro-solventes”, explica Pamela Araujo, pesquisadora de Ingredientes da Natura.
Na sequência, a área de Tecnologias Cosméticas Avançadas pesquisava como o extrato de jatobá atua nos mecanismos biológicos envolvidos no processo de envelhecimento da pele, na tentativa de confirmar os seus benefícios. “A gente coloca o jatobá em contato com células provenientes da pele, in vitro, e avalia se, de fato, ele consegue estimular essas células a produzirem mais colágeno. Depois de vários testes e aprimoramentos, conseguimos confirmar a nossa hipótese de que o jatobá consegue aumentar o colágeno, a elastina e reduzir a glicação, processo biológico que danifica as proteínas da pele durante o processo de envelhecimento”, explica Juliana Lago, pesquisadora de Tecnologias Cosméticas Avançadas.
Todas as áreas atuam simultaneamente e trocam informações e descobertas para produzir o melhor ativo, com efeitos benéficos para a pele comprovados cientificamente. “Nada acontece isoladamente. A área de Bioagricultura tem que viabilizar a produção da matéria-prima vegetal, mas nós também temos que confirmar os seus benefícios e garantir a sua segurança”, esclarece Juliana. “Depois que nós disponibilizamos o extrato, precisamos fazer uma série de testes para padronizar a sua especificação, onde os princípios ativos são monitorados. Assim é possível fazer um controle desse ingrediente e garantir sua qualidade, segurança e eficácia”, complementa Pamela.

Após anos de pesquisa incessante, o extrato de jatobá está disponível como parte do relançamento da linha Chronos, devolvendo o brilho e a elasticidade para a pele de mulheres acima dos 45 anos. “Todos os testes mostram que o extrato é muito eficiente no que se propõe a fazer e nós ficamos satisfeitos com o resultado”, finaliza Juliana.