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Questão de pele

21 de junho de 2012

As sensações olfativas provocadas pela utilização de perfumes podem variar de indivíduo para indivíduo. As mulheres sabem muito bem disso. Ninguém compra um perfume apenas com base na fragrância desprendida do frasco ou exalada por outra pessoa sem antes testá-lo na própria pele. As explicações para essas diversidades de comportamentos interessam sobremaneira à indústria de fragrâncias e seus perfumistas preocupados com formulações que possam atender o consumidor da melhor forma possível. 

A aceitação de um cosmético pelo consumidor é fortemente influenciada pela sua fragrância. Diante disso, existe uma grande preocupação por parte da indústria em oferecer produtos estáveis, com características organolépticas inalteradas ao longo do tempo de armazenamento e de utilização. 

Embora os insumos utilizados nesses produtos devam apresentar propriedades toxicológicas conhecidas, muitos deles podem sofrer degradação em contato com ar, luz e calor, ou ainda, por meio do metabolismo cutâneo, dando origem a substâncias que podem alterar seu odor e até causar algum tipo de reação alérgica. Nos cosméticos, as fragrâncias são as principais causadoras de alergias.

Apesar dessa constatação, poucos são os relatos divulgados sobre a degradação química de insumos de fragrâncias em contato com a pele e nenhum deles leva em conta a composição microbiana cutânea, chamada genericamente de microbiota da pele.  Estima-se que existam no corpo humano aproximadamente 100 milhões de células de micro-organismos. 

Neste contexto, pesquisas que considerem possíveis reações de degradação desses insumos provocadas pela microbiota da pele humana podem trazer informações valiosas para a avaliação da toxidade, estabilidade e aceitabilidade de produtos cosméticos em geral e dos perfumes em particular.

Sabe-se, também, que fatores ambientais como temperatura, umidade e exposição à luz, além dos ligados ao hospedeiro, como gênero, genótipo, status imune e uso de cosméticos, podem afetar a composição e a distribuição microbiana da pele. Inúmeros pesquisadores consideram ainda que a microbiota desempenha papel importante no sistema imune da pele.

Entretanto, pouco se conhece sobre os conjuntos de espécies presentes em amostras cutâneas e suas atividades enzimáticas, importantes porque as enzimas constituem catalisadores biológicos que têm papel essencial no metabolismo humano e, particularmente na pele, são imprescindíveis nos processos de absorção e eliminação de componentes.

Diante desse quadro, a química Carla Porto da Silva, que atua há cerca de sete anos como pesquisadora de uma grande empresa de perfumes e cosméticos, desenvolveu estudo visando a determinação do potencial enzimático da microbiota da pele humana.

Ela vinculou esse potencial às principais reações de degradação de formulações de cosméticos, mais especificamente, a uma seleção de insumos de fragrâncias, os quais fazem parte de um conjunto de quatro a cinco mil substâncias naturais, como óleos essenciais e ainda compostos sintéticos, presentes e mimetizados da natureza. 

Ao se dar conta de que um dos grandes problemas dos perfumistas era desenvolver fragrâncias para todos os públicos e ao se deparar com a falta de estudos sobre os processos bioquímicos que podem alterar os componentes das fragrâncias em contato com a pele, ela se propôs a responder a duas grandes questões: por que as fragrâncias podem manifestar efeitos diversos em pessoas com diferentes tipos de pele e quais os mecanismos que levam a tais comportamentos?

Para saber mais, acesse a notícia completa no link: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/530/questao-de-pele?language=pt-br